As quatro estações

da viagem Rio-Salvador

 

O contratempo do carro foi resolvido relativamente rápido, por ser um motor Mercedes, de caminhão. Então, Evilásio, dono de uma oficina que presta serviço para caminhoneiros da Veracel, catou umas peças usadas lá numa caixa e botou no lugar. Gente muito boa o Evilásio. Está montando pra ele um jeep Willys com motor Toyota. Enfim, dei a sorte de encontrar um jipeiro na estrada. A permanência na cidadezinha de Itabatã, distrito do município de Mucuri, na beira da BR101, Extremo Sul baiano, foi interessante. Na pousada Taylor, fui logo recebido pelo simpático proprietário com uma cachacinha da região, para relaxar. Banho tomado, fiquei sabendo que toda quinta-feira tem música ao vivo na lanchonete Divina Gula. Então não podia ser outro dia da semana senão este em que acabei caindo de para-quedas por lá. O show foi com a dupla mineira Natan Diniz e Horlando (http://www.youtube.com/watch?v=SaZGKfQ9bug), da cidade de Nanuque. Me chamou a atenção os solos de violão do segundo nome da dupla.

 

Apesar do barulho, o carro seguiu até o posto perto de Itabatã

 

Com a parada involuntária, a viagem Rio–Salvador acabou feita em cinco dias e quatro pernoites. No primeiro trecho, a BR101 do norte fluminense, toda pedagiada, em bom estado, e sul capixaba razoável até o acesso ao litoral, em Marataiz.

 

 

Enfim o mar, em Marataiz, depois de muito caminhão na BR101

 

 

De lá, só mar. Cheguei cedo em Piúma, onde pretendia passar a noite, então continuei seguindo para o norte e cheguei no final da tarde a Vila Velha, a uma ponte de Vitória.

 

 

Pouso em Vila Velha

 

No dia seguinte, a intenção era chegar a Porto Seguro para passar a noite, mas acabei ficando em Itabatã por motivo já citado e não sem alguma diversão. Como saí no início da tarde do terceiro dia, até daria para passar a noite em Porto Seguro, mas optei por ficar em Eunápolis e economizar 120 km da distância de ida e volta. Conheci um jornalista na cidade, veja só, querendo comprar meu carro.

O trecho seguinte de viagem foi até Itacaré, onde finalmente tomei um banho de mar depois de me registrar na Pousada do Lawrence.

Com a nova estrada Camamu-Itacare, a viagem para Salvador ficou bem mais perto e muito mais gostosa, então cá estou novamente na terrinha.

 

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 07h57
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Tentando chegar a Salvador

Estou aqui na Pousada Taylor, em Itabatã, distrito do município baiano de Mucuri, matando mosquito a tapa e torcendo pra grana dar pro conserto do carro. Eu não esperava tanto quando comprei um Toyota Bandeirante pensando em aventura, mas o destino é mais sábio do que eu e, mais de dois mil quilômetros depois de sair de São Paulo, o carro veio quebrar na Bahia, perto de uma oficina. E quebrou numa quinta-feira, único dia de música ao vivo no restaurante Divina Gula. Esse Brasil é mais bonito visto em retalho e para ver o Brasil assim só mesmo pegando a estrada.

Queria contar se vou continuar a viagem amanhã ou não, mas isso não depende de mim. A bem da verdade, nosso controle sobre os acontecimentos é sempre relativo. No Divina Gula, ouvi uma dupla meio sertaneja e anotei o nome dos caras, mas acho que devolvi o papel embolado com a conta. Depois conto o princípio e o fim dessa viagem, pois já é mais de 1h da manhã de sexta e eu estou quase dorm....



Escrito por Diogo às 21h22
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 SOBRE JOÃO DONATO E

DUAS LETRAS ROUBADAS

 

Liguei para João Donato com a intenção de marcar uma entrevista para o Bafafá Online, do amigo Ricardo Rabelo. Confirmei depois para as 17:30 do dia da estréia da nova turnê do “verme” no Rio. Foi na Sala Baden Powell, em Copacabana, e eu acompanhei Ricardo. Donato, distraidíssimo sob um boné e soberano no piano, ensaiando apenas as músicas que faria naquela mesma noite com Emílio Santiago e banda, não foi nenhuma surpresa. Novidade pra mim foi ver que a nova casa de shows ocupou o espaço do velho cine Ricamar.

Recordações inevitáveis das sessões de meia-noite, com garrafa de conhaque na bolsa de couro e a tela envolta na fumaça da canabis que embalava o papo-cabeça da galera. Foi assim que os anos 80 começaram no velho Ricamar, até a sessão de meia-noite ser cassada por ordem da polícia. Donato ensaiando ao piano e eu vendo dois jovens embriagados subindo as grades do cinema para roubar vogais do letreiro que exibia o nome do filme. Um voltou a morar temporariamente no apartamento dos pais em frente ao velho cinema e mantém a inicial do próprio nome como recordação. Outro, que perdeu a letra numa das muitas mudanças da casa, pensa em escrever uma história engraçada sobre Donato. Talvez em outra oportunidade, possivelmente com todas as letras e certamente sem letras roubadas.

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 15h48
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SÉRIE BOTECOS DE OCASIÃO

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 00h17
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OLHA O MENGÃO AÍ

Flamengo 2x1 São Paulo, de virada no Maraca

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 12h41
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CENAS DE VIAGEM

A Câmera do celular é péssima, mas é a única que veio. Me lembra aquelas fotos com uma caixa e um furinho.

Vista do quarto do hotel, Centro de São Paulo

Festa dos 40 anos do bairro da Liberdade (SP) - o dragão quase não sai

Praça Afonso Pena, dos passeios de infância

Sede do campeão dos campeões

 

Festa da escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016

 

Pra quem gosta de samba, prato cheio

Vista de Copa

Destas janejas que eu jogava as "pastas" dos amigos matadores de aulas

Procissão de Nossa Senhora de Copacabana, na Avenida Atlântica

Último vagão do último metrô da noite

Volta para a Tijuca

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 15h01
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E-mail enviado pelo amigo Gorga Loureiro:

Frase do Século, Atribuída a um carioca:
"Já que tem Copa em 2014 e Olimpíadas em 2016, a gente bem que podia enforcar 2015..."



Escrito por Diogo às 14h13
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DUAS VIAGENS

EM UMA

 

Se a vida lhe der limões, faça uma caipirinha.

(frase minha mesmo)

 

Viagens são sempre momentos de revelação. Algumas, como minha estada de quase um mês no Centro de São Paulo, descortinam uma realidade sem cartão postal, uma imersão na alma da cidade dos outros. Conheci uma São Paulo dura, principalmente com os forasteiros remediados, uma metrópole de vidas cinzentas como cimento, de olhar pragmático, inexorável, de uma espécie de conformismo que não comporta em si acomodação, mas a busca incansável do óbvio. Sobreviver é fundamental, enriquecer é a meta. Entre um e outro extremo vive a maioria da população. Não há criatividade, charme, mistério ou encanto nisso, pois o paulistano é previsível como sua cidade, seus horários de metrô, sua programação de cinema, seus rodízios de pizzas e carros, seus engarrafamentos de trânsito. E quando a natureza não colabora e a chuva dissolve algumas certezas, essa gente de Sampa não entra num boteco para beber tranquilamente uma cerveja, para jogar conversa fora enquanto espera as coisas melhorarem. Não, em sua lógica de que a vida tem um sentido determinado, imutável, inquestionável e urgente, eles encaram qualquer contratempo quase como um diagnóstico de câncer. Superá-lo o mais rápido possível é praticamente a diferença entre a sobrevivência e a morte. Olhar para a legião de mendigos sob marquises, observar os guetos de africanos e bolivianos, ouvir a proposta triste das prostitutas velhas nas portas das boates decadentes é quase como deparar com o alerta que a cidade dá a quem relaxa e se esquece da lógica de que você é aquilo que você tem. Se há beleza, não é fácil ver e por isso a Sampa de Caetano Veloso é a mais completa tradução. Com tanta dureza, o bonito em São Paulo brota invariavelmente de onde não se espera, como uma flor no asfalto.

Há também viagens que são de redescoberta, de nostalgia, mas que podem ser igualmente reveladoras. Aqui se insere minha temporada no São Sebastião do Rio de Janeiro e explica porque o jeito com que fui forjado se encaixa melhor com São Salvador do que com São Paulo. Por via das dúvidas e diante de tantos santos é melhor dizer amém e fazer o sinal da cruz antes de prosseguir. Da convivência e das reminiscências partilhadas com Edna, minha irmã mais velha, aos passeios pelas ruas da Tijuca, Copacabana e Niterói, refiz em poucos dias um roteiro trilhado em muitos anos na minha infância e adolescência. A casa que é minha mais antiga lembrança de lar ainda está lá, numa vila tijucana, a duas quadras de onde mora hoje minha irmã. Um dos dois imóveis, que têm acesso por um longo corredor, está em obras. Há um entra e sai de trabalhadores e eu penso em aproveitar a chance para fazer uma visita. O muro na entrada, do lado direito, foi o que meu irmão mais velho, Elcio, pulou para fugir de casa e dormir sobre o telhado da igreja vizinha. No muro do lado esquerdo da casa, subíamos, eu e meu irmão Edson, para olhar o pátio de um colégio. Lembro particularmente do cheiro de terra molhada que se espalhava pelo quintal quando chovia, da farra que foi uma vez limpar a cisterna, de besouros em caixas de fósforo e da invasão de formigas de asa nas noites distantes, da área que minha mãe lavava toda semana e onde quebrei literalmente a cabeça duas vezes, uma caindo de uma bacia colocada sobre a máquina de lavar, outra escorregando no chão ensaboado e indo de encontro ao muro. Havia a geladeira que dava choque, o jiló que virava elefantinho com pernas de palitos, a escada com gradil de tubos de metal onde nos pendurávamos, o gosto de berinjela à milanesa, o som que partia da vitrola portátil Philips no quarto das meninas. Meu irmão ia pra debaixo da cama, colava etiquetas no estrado que viravam comandos e aquela era sua nave espacial. Não me deixava pilotar e eu tinha que aguardar pacientemente ao lado dele para desembarcarmos em Marte. Mas não, os outros mundos teriam que esperar, pois nossa mãe gritava que o almoço estava na mesa.

Não muito distante da vila, onde hoje está uma estação do Metrô, fica a Praça Afonso Pena. Meu pai nos levava ali nas tardes de domingo para passear, andar de bicicleta e comer pipoca ou algodão doce. A praça ficava bem abaixo do nível da rua e nos paredões laterais que descíamos, sob as calçadas, havia galerias ocupadas por lojas, creio que jornaleiros, sapateiros e consertadores de coisas. Tudo tinha conserto naquela época. Acho que havia também um laguinho, mas não tenho certeza, pois depois do Metrô a praça mudou e ficou quase no nível da rua. Incrível, mas ainda há crianças com pais, bicicletas e vendedores de pipoca e algodão doce. No caminho fica o clube do América, cuja piscina ajudávamos a lotar nos sábados de verão. As Casas da Banha agora são McDonald’s e a confeitaria Regina agora é Trigus, mas compro pão quentinho lá de manhã cedo como não fazia há muito tempo. Para completar, fuço documentos e fotografias antigos que foram parar na casa da minha irmã depois da morte do nosso pai e encontro minha carteirinha do América e outras relíquias, como a identidade da maçonaria do bisavô Augusto. Lendo uma certidão, acrescento o tataravô paterno José Diogo Tavares à árvore genealógica que conheço.  

Em Niterói, no bairro de Icaraí, vou mostrar o carro a um interessado na compra. Viagem perdida no presente, mas lá está o prédio onde moramos após voltar de Brasília e o apartamento onde jogávamos “patacobol”, derrubando abajures, objetos decorativos e pedaços do gesso do rebaixamento do teto. Lá está a praia das primeiras peladas e o mar onde devo ter pego imunidade para várias doenças contagiosas.

Em Copacabana, a festa da conquista dos Jogos Olímpicos de 2016 fica em segundo plano, pois ali está, na frente da praia, o colégio Cícero Pena. Da janela da sala de aula, no segundo andar, podíamos ver as areias cheias de gente e o mar azul. Uma tentação. Por ela joguei as pastas dos amigos Antonio e Juan muitas vezes nas fugas para matar aulas. Não é por acaso que os dois acabaram reprovados na sexta série e eu por muito pouco não tive o mesmo destino. 

Minhas memórias estão nas ruas e nenhum assaltante pode roubá-las. Nenhuma reurbanização pode removê-las. Busco organizar o tempo para poder ver os amigos antigos e lá estão eles, completamente mudados, mas na essência comungando de um passado quase sempre feliz em comum. Muito é o tempo, a poeira da estrada, as cicatrizes, mas por um momento me sinto em casa, grato pela simples existência destes lugares que eu não sabia que carregava comigo de modo tão intenso. Agora tenho certeza de que nunca deixarei de levar comigo estas ruas e construções, assim como as ruas do Centro de São Paulo e o velho Hotel Continental, não como fotografias, mas com o sentimento de quem momentaneamente para, olha pra traz e, antes de retomar o caminho, agradece por essa incomparável dádiva chamada vida.

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 11h29
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NÃO É QUE DEU O RIO E VIROU FESTA, COMO SE FOSSE O APITO FINAL NA PARTIDA DECISIVA DE UM JOGO DE COPA DO MUNDO, COM O BRASIL SE SAGRANDO CAMPEÃO POR GOLEADA SOBRE A ARGENTINA. ÊTA POVO BESTA E OTIMISTA QUE FAZ TÃO BEM PRA NOSSA ALMA AMEDRONTADA E CANSADA. QUE POVO É ESSE, MEU DEUS! É O POVO BRASILEIRO. VIVA O POVO BRASILEIRO, DONO DO ESPETÁCULO E ÚNICO CAPAZ DE MUDAR SUA PRÓPRIA REALIDADE.

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 16h24
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O PREÇO DO DESAFIO

"Porque vocês não sabem do lixo ocidental..."

(Para Lennon e McCartney, de Lô Borges, Fernando Brant e Márcio Borges)

Daqui a pouco será dado o veredicto se o Rio será sede dos Jogos Olímpicos de 2016 ou perderá a disputa para o lado de cima do equador. Eu, que sei muito bem do lixo ocidental, que conheço as águas podres da Baía da Guanabara, que vi olhos angustiados de mães que perderam filhos, que vejo nas ruas mulheres agarradas a bolsas como a bóias salva-vidas, que escutei um motorista de táxi xingar um velho após quase atropelá-lo sobre a faixa de pedestres, que vi na TV um jovem com uma granada na mão ter a cabeça estourada por um tiro depois de fazer uma refém aqui na Tijuca, a alguns quarteirões da casa da minha irmã Edna, eu que nasci na Vila Militar e estou registrado em Cascadura, eu que sobrevivi aos becos de Copacabana, eu que jamais terei olhos de estrangeiro nessa cidade, no fundo tenho medo. Gosto de festa, gosto de esporte e gosto do movimento presente em todo desafio, mas tenho medo de que, sob holofotes do mundo, todos descubram as mazelas que conhecemos tão bem, que incluem ainda a incapacidade dos nossos governantes e executivos do esporte de gerir recursos com honestidade. Tenho medo de perdermos ao mesmo tempo qualquer fantasia do mundo sobre nossa hospitalidade e nossa esperança de mudar para melhor.

Não obstante, como baiano adotivo, tenho fé, adoro festa e vou comemorar qualquer que seja o resultado.

Diogo Tavares 



Escrito por Diogo às 12h07
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PROPAGANDA DE OCASIÃO

Depois daquela chuvarada em São Paulo

Diogo Tavares 



Escrito por Diogo às 13h35
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Considerações sobre os paulistas

Os paulistas têm algumas preferências, mas dinheiro é unanimidade.

Paulista não gosta nem de dar bom dia de graça. Você pede uma informação e ele, depois de olhar para o relógio, responde com a cara mais enfezada do mundo.

Paulista preza o próprio tempo, afinal tempo é dinheiro, mas despreza o tempo dos outros. Como perdi tempo com esses caras.

Paulista não gosta de bom grado nem de paulista. Imagine então de nordestrino e boliviano.

Aliás, baiano pra paulista é apelido pejorativo.

A depender do ângulo de visão, as mulheres paulistas olham primeiro para o sapato, o relógio ou o carro do sujeito. A depender da cotação do que viu, pode ser que depois olhem para o cara. 

Paulista, sem a menor sombra de dúvida, merece passar a vida em São Paulo.

Enfim, antes que pensem que odeio paulista, devo admitir: gosto mais de paulista do que de argentino. Mas o sotaque dos hermanos é muito mais agradável.

Diogo Tavares 



Escrito por Diogo às 17h36
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PIAZZA BRASILE

VAI FICAR

PARA 2010



Escrito por Diogo às 15h55
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Maradona é mito,

Dunga é o cara

Quando a gente escreve opinião, não tem jeito, cedo ou tarde acaba mordendo a língua. Digo isso por ter feito algumas críticas a Dunga como técnico e por ter percebido agora que talvez não tenha opção melhor para a seleção brasileira. Só para lembrar, Dunga sempre foi um jogador de talento limitado, mas aguerrido e funcional, nunca dirigiu time de clube com qualquer relevância, foi indicado por Ricardo Teixeira, que dispensa comentários, num momento de crise, provavelmente como boi de piranha, dirigiu a seleção em partidas com o mais feio futebol que já vi no escrete canarinho e tratou a imprensa como se não devesse satisfação aos torcedores. Mas é o cara. Assim como no tempo de capitão, ele resolve na posição. É como um cozinheiro que só sabe fazer macarrão, mas faz uma macarronada espetacular.

É este o mérito de Dunga, que se fez mais evidente na disputa diante do mito inútil de Maradona. Contando com os melhores ingredientes do mercado, os jogadores brasileiros, não inventou, fez uma puta macarronada. Sem esquemas táticos mirabolantes, sem marketing, ele incutiu nos jogadores a noção de equipe que tanto faltou nos maiores fracassos da seleção brasileira.

Só para citar o jogo deste sábado, o Brasil não venceu a Argentina por ter melhores jogadores, mas porque foi mais time. Com Dunga, como na nossa cabeça de torcedores, jogar na seleção não é uma obrigação burocrática ou uma mera vitrine, mas a realização de todo jogador. Não basta botar a camisa amarela, como Robinho vem fazendo, é preciso estar presente de corpo e alma. Usando uma imagem popular, é preciso dar o sangue. Para Dunga, isso não é pedir muito, isto é pré-requisito, independente da grandeza do astro que estiver usando chuteiras.

Enfim, isso fez diferença nestas eliminatórias, garantiu a classificação antecipada da seleção brasileira... e ganhar da Argentina é sempre um prazer! Mas, para ser sincero, vejo um lado bom até para os vencidos. Ao aplicar uma derrota inquestionável, talvez o Brasil tenha feito um grande favor aos hermanos. Afinal, quanto mais cedo eles se livrarem do técnico Maradona, mantendo o ídolo no lugar do ídolo, mais rápido voltarão a ter uma equipe vencedora.

Diogo Tavares 



Escrito por Diogo às 17h55
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A nova missão do delegado

Convidado pela amiga e ex-colega de trabalho Olívia Soares para avaliar um vídeo de divulgação, almocei na terça-feira desta semana, em São Paulo, com o tão falado delegado Protógenes. No dia seguinte ele iria acabar com um mistério de meses e anunciar sua filiação a um partido político, no caso o PC do B. O exemplo de Protógenes, principal agente da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, é outra amostra daquilo que tem se tornado recorrente nos meus textos. Ou seja: o alto preço que pode ser imposto no Brasil a quem age da maneira certa e ignora interesses dos pilotos, tripulantes e passageiros clandestinos deste imenso avião chamado governo.

Quando as investigações de Protógenes levaram à prisão do investidor e banqueiro Daniel Dantas, ao invés de parabéns, o que se viu foi uma forte e organizada retaliação contra o policial. De agente da lei, o delegado passou a ser visto como suspeito de crime e ter sua vida profissional e pessoal devassada. Afastamento sumário das funções, imposição de silêncio e ameaças de morte extensivas à família são algumas das práticas de que foi vítima. A vida dele, de repente, virou de cabeça pra baixo. Colegas se afastaram, amigos ficaram com medo de ser tragados pela onda de perseguição, filhos e mulher protagonizaram dramas sem precedentes.

É neste momento, quando ninguém queria ser visto com Protógenes, que entra Olívia, passional, destemida e teimosa como poucas pessoas que conheço. Junto com as também jornalistas baianas Patrícia e Zoraide, Olívia tratou de organizar de modo voluntário a comunicação de Protógenes. Adotando as palestras pelo país como meio de sobrevivência, Protógenes redescobriu sua terra natal Bahia, compareceu ao Dois de Julho, colocou uma fitinha do Senhor do Bonfim no pulso e consolidou sua alternativa de trabalho e vida pela via política.

Apesar de também ter comparecido ao jantar com a cúpula do PC do B em que o “casamento” foi comemorado, já que a insistência de Olívia é notória, vejo esta definição com certa reserva cética, talvez resultado de várias décadas de jornalismo, da observação de políticos e partidos de perto, da análise tranqüila do que geralmente está um pouco abaixo do óbvio. Não vou aprofundar uma análise política, pois não é esse meu objetivo inicial.

O fato é que, enquanto Daniel Dantas passa o final de semana em sua ilha particular na Bahia, perdem as instituições democráticas, a Polícia Federal e o cidadão de um modo geral. Não perdem com a estrada de Protógenes na política partidária, mas com a imposição deste caminho a ele. Tão importante quanto quadros bem intencionados disputando eleições, é termos cidadãos plenos em direito e deveres, exercendo a profissão com dignidade, seriedade e correção, com a tranqüilidade de quem tem o estado como guardião da Justiça, jamais perseguidos por agir conforme a lei.

É porque ainda existe essa bandeira, em princípio elementar, que não comemoro simplesmente a nova missão do delegado. Preferia vê-lo prendendo meliantes que emperram o desenvolvimento econômico e social do país, que ampliam a injustiça, que manipulam pessoas e leis, que se utilizam de um mandato ou um cargo público para obter benefícios pessoais a custa da população, que com ganância insaciável destroem a vida e a esperança. Mas, como ainda existe esta bandeira e como é nas vítimas que mais se fortalece a necessidade de transformação, me resta, caro Protógenes, neste momento que testemunhei por acaso, desejar boa sorte.

http://www.youtube.com/watch?v=1t0IWMaCpqw

Diogo Tavares 



Escrito por Diogo às 20h30
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