URGENTE!

Essa é boa!  O juiz do jogo entre Inter e Corinthians, que está começando agora, é formado em jornalismo. O jeito é diversificar, galera!

 

Com essas torcedoras, nem ligo pro resultado



Escrito por Diogo às 21h59
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VENDE-SE

UM DIPLOMA

DE JORNALISMO

Vende-se um diploma de jornalismo. Não é muito novo. Tem vinte e poucos anos de uso. Serviu bem até aqui, com ética, respeito e, embora não tenha rendido muito dinheiro, deu pra sobreviver. Mas custou caro. Anos de estudo, noites insones, ralação em horário dobrado, parentes alugados, livros comprados, toneladas de xerox, mensalidades escolares, multas por mensalidades escolares atrasadas (para uns crédito educativo) e até missa e festa de formatura. Por motivo de força maior e profunda precariedade, vende-se por qualquer preço. Aceita-se vale transporte, seguro desemprego ou um cafezinho e pão com manteiga. Também troca-se, sem volta, por um certificado de curso de mestre cuca.

No início, jornalismo não era profissão, era diletantismo. Vindos de outras áreas, principalmente – que coisa interessante – das escolas de direito, os jornalistas não recebiam salários. Os mais necessitados trocavam elogios nas colunas tipografadas por pratos de comida, os remediados bebiam de graça e os abastados faziam de suas palavras a garantia de empregos públicos. O paraíso para os coronéis da época e uma desgraça para o Zé Povão que quisesse denunciar qualquer abuso sofrido.

A profissionalização do jornalismo, principalmente graças aos cursos superiores e à obrigatoriedade de diploma, levou para a redação um outro tipo de postura, deixou claro que literatura é diferente de reportagem, livrou o repórter da contaminação da fonte, criou uma “cozinha” crítica de redatores e editores com salários garantidos  e comprometidos, bem ou mal, com o produto final da informação. Se o jornalista não era totalmente independente, não precisava vender anúncio durante a “reportagem” e tinha por obrigação ensinada nos bancos da academia ouvir os dois lados da questão.

Graças a isso, a este novo jornalismo, a imprensa se fortaleceu, fortalecendo também os meios de comunicação. O país se redemocratizou, escândalos vieram à tona, a sociedade ganhou voz crítica e fiscalização pública. Se a intenção do regime militar era ampliar o controle, a obrigatoriedade do diploma foi um tiro que saiu pela culatra e ajudou a acabar com o próprio regime de cerceamento dos direitos civis.

Isto tudo, todo o avanço e consolidação da liberdade responsável de imprensa, o Supremo Tribunal Federal jogou no lixo ao acabar com a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. É como dar aval para que as redações se tornem terra de ninguém e dar às empresas e aos empresários da área carta branca para contratar capachos, desde que não totalmente analfabetos, por salários aviltantes. E o que fazia a Corte Suprema do Brasil enquanto jornalistas eram presos, torturados e buscavam exílio? E o que fazia a casta togada quando a corrupção tomava conta de todos os níveis de governo? Do seu pedestal, o que fazem hoje para acabar com a tortura, a prisão arbitrária, a impunidade, a imunidade, a intolerância e outras mazelas do país?

Cozinheiro sem ética não lava as mãos, oculta ingredientes, copia pratos, falsifica cardápios

A ameaça é real e o retrocesso pode ser terrível para a sociedade civil. Quando o Supremo simplesmente cassa o diploma de jornalismo, ele se coloca servil do lado das empresas de comunicações, quase todas nas mãos de políticos inescrupulosos e empresários gananciosos. E isto fica claro na Carta ao Leitor da Veja, onde a revista, de forma vergonhosa para seu próprio passado, elogia a fala do ministro do Supremo Gilmar Mendes ao comparar a profissão de jornalista à de chef de cozinha. Cozinheiro sem ética não lava as mãos, oculta ingredientes, copia pratos, falsifica cardápios. Se a escola não torna ninguém mais ético, a ausência dela certamente estimula a ignorância, o oportunismo e a ilegalidade. Se o Supremo quer insistir em sua tese desregulamentadora, então porque não acaba com a casta de direito diplomado dos seus membros e abre aquela casa a todo e qualquer brasileiro que se mostre competente e merecedor de mordomias e salários de marajás, pois seus membros são inacessíveis e insensíveis como tal. Quando o Supremo interpreta a Lei e a Constituição como interpretou, enfraquecendo a imprensa, que é os olhos, ouvidos e, principalmente, a voz da população, ele vira as costas para o povo e se traveste como um dos piores poderes da nação. Um poder formado por intocáveis, sobre os quais nem mesmo o voto soberano do povo influi, uma casta de senhores feudais com seus trajes medievais prontos para definir de modo imperial o destino e o fim de seus súditos. Ave, Gilmar, o senhor e seus pares estão prestes a conseguir o que nem mesmo a ditadura militar conseguiu: criar uma imprensa mais submissa e desacreditada.      

 

 

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 19h13
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UM NOME MELHOR PARA A DOENÇA

A Organização Mundial da Saúde (OMS), da ONU, rebatizou a Gripe Suína de Gripe A. Bem que a ONU podia contratar um marketeiro, ou lançar mão dos milhões de marketeiros que caminham pelas ruas do nosso país, para encontrar um nome melhor. Há anos que não tem surto de gripe no Brasil que fique sem nome. A mais recente, pós-Carnaval, foi a Dalila, em referência a uma música que encheu mais o saco na folia baiana do que a própria gripe nas semanas seguintes.

Tudo bem, vamos concordar que o nome Gripe Suína é literalmente uma porcaria. Até porque ninguém precisa deixar de comer um bom pernil pra se proteger. E nós não vemos porquinhos andando por aí com máscara. Mas, pelo menos podia ser Gripe Há, pra que fosse grafado com efeito em cartazes nas portas dos moribundos. GRIPE HÁ, saúde não há. Ou então poderíamos chamar de Gripe Subprime ou Gripe Tostila, pra homenagear a origem geográfica da enfermidade.

No entanto, seja qual for o nome da gripe, o destaque dado a ela na mídia reforça como o mundo (e surpreendentemente o “terceiro mundo” junto) prioriza a preocupação com os males que atingem os mais ricos. Seja falência de empresa, desemprego ou doença. Somente este ano, mais de meia centena de pessoas morreram de dengue na Bahia. Mas, moléstia e epidemia de miserável, de país tropical, transmitida por mosquito, é besteira perto da tal gripe, mesmo que o nome seja muito sem graça.

Não há dúvida de que, se houver uma Pandemia, morrerá mais gente da tal gripe no Brasil do que nos Estados Unidos ou Europa. E muitos morrerão sem diagnóstico preciso, de dengue, febre amarela, difteria, fome, pois a grande doença – e isso ninguém fala – não é ser gripe A, B ou C, não se resolve com receita médica ou vacina, não é transmitida por espirro ou tosse. Está entranhada e infecta nosso corpo social, desvia recursos de medicamentos, deixa a saúde pública na UTI, cria uma casta privilegiada num país miserável e se chama corrupção.   

Diogo Tavares

 

http://diogotav.sites.uol.com.br/Odia_em_que_gandhi.htm

 

 

 



Escrito por Diogo às 19h02
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    O DIA EM QUE GANDHY

DESEMBARCOU NO PORTO DE SALVADOR

O trabalho na estiva andava raro naqueles dias. O clima de pós-guerra mantinha o comércio mundial em ritmo lento e, para complicar, havia uma greve nos portos ingleses, reduzindo consideravelmente o movimento de navios para o mundo todo. Como faziam todos os dias, os estivadores chegaram cedo ao porto, naquela segunda-feira, a procura de trabalho. Quando havia navio, era um dinheiro bom, que colocava a categoria no topo das profissões de gente sem estudo na primeira metade do século. Sem carga pra movimentar, entretanto, a coisa ficava mal. E mal estava. Não havia qualquer notícia de navio chegando.

Para passar o tempo, alguns estivadores jogavam dominó e conversavam. Até que um deles lembrou que já estava na semana do Carnaval. Sem dinheiro, disse, não ia dar pra botar o bloco Comendo Coentro na rua. Quer dizer, dar até dava, mas depois de ganhar quatro anos seguidos do rival Rosa do Adro não valia a pena o vexame da derrota certa. Todos lembravam do ano anterior, quando o bloco saíra um luxo. Todo mundo com macacão branco de brim cetim, gola e punho de laquê azul, basqueteiras brancas com frisos azuis, vermelhos e brancos, compradas na Casa Clark, e boné, também azul, vermelho e branco.

"Pra passar vergonha, o Comendo Coentro não sai", opinou, com autoridade, Dino Pinto Preto, recebendo a imediata concordância verbal ou gestual dos companheiros. Dino era o maior criador de apelidos do grupo. E apelido era o que não faltava. Tinha Vavá Madeira, Antônio Coruja, Zóião, Soldado, Carequinha, Domi, Mica Fialho, Caboclo, Coice de Burro, Bigode de Arraia, Pé-de-alho, Nonô, Dudu Calango, Máximo Quadrado, Nélson Lobsomem, Domingos Cara Feia, Aloísio Gaiolão, Cândido Elefante, Manoel Guarda-sol, Jaime Bexiguinha e Hamilton Bebê de Madame. Sem apelido resistiam Bráulio, Hilário, Amaro, Elias, Wilson e Assis.

Então estava resolvido que o Comendo Coentro não ia sair. O nome do bloco tinha sido dado involuntariamente por Domingos Cara Feia. Quando bebia umas cachaças a mais, o que não era raro, dizia pra todo mundo que estava comendo coentro.

No início da tarde ninguém mais tinha esperança de arranjar trabalho naquele dia. Voltaram a falar do Carnaval. Se não tinha dinheiro pra botar o Comendo Coentro na rua, também não era negócio colocar os outros blocos vitoriosos do pessoal da estiva, como o Brinca quem Pode ou o Robalo, que derrotara durante anos o rival Leão de Ouro, formado pelo pessoal das docas. Podiam até formar o Robalinho ou o Troça dos Estivadores, onde saiam vestidos de mulher. Mulheres bem musculosas, por sinal. Bastava pedir algumas roupas para as moças do Julião, meretrício muito considerado e apreciado da turma. Alguns tinham até nêga fixa lá. Bráulio tinha lá a Delza. Mica tinha lá a Valdelice. Domi tinha a Rosa. Ou seria Maria?

Vavá Madeira, sempre animado para uma farra, tirou o charuto da boca, cuspiu um pouco de fumo, e sugeriu, então, que fizessem um novo bloco, algo só de brincadeira, que desse pra sair sem precisar de muito dinheiro. Dinheiro, aliás, que ninguém tinha. Todos concordaram imediatamente. Só faltava dar o nome do novo bloco. Todo mundo começou a pensar, mas nada parecia ser original o suficiente.

Dia passado na beira do cais sem trabalho, um grupo decidiu subir a Ladeira do Caminho, tomar uma caninha e jogar uma porrinha sob a mangueira na frente do Curtume Vitória. Era o principal ponto de encontro do pessoal. E foi debaixo da mangueira que Antônio Coruja lembrou do filme Gungadim, que tinha visto uns dias antes num cinema de Feira de Santana. A história, contou, acontecia na Índia, tinha lá os hindus e os lanceiros. Poderiam ser estas as fantasias do novo bloco. Sugeriu que se chamasse Filhos de Gungadim.

Vavá Madeira desta vez deixou o charuto cair e disse com convicção: "É isso! Mas acho melhor chamar o bloco de Filhos de Gandhy!" Todos concordaram logo, pois estava na memória deles o nome do líder pacifista indiano, assassinado alguns meses antes. Não conheciam muito mais da história, mas para bloco de Carnaval de uma categoria tradicionalmente politizada e contestadora estava ótimo. (SEGUE)

 



Escrito por Diogo às 05h51
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O DIA EM QUE GANDHY

DESEMBARCOU NO PORTO DE SALVADOR

 

(CONTINUAÇÃO)

No dia seguinte, Dino Pinto Preto saiu avisando a todo mundo no porto sobre o bloco e convocando os foliões para uma reunião debaixo da mangueira na quarta-feira anterior ao Carnaval. No dia combinado, Vavá Madeira apareceu com uma revista onde havia a foto de um hindu. Não poderia ser melhor para a situação financeira da galera: bastava um lençol e uma toalha brancos, amarrados com corda. Na mesma hora foi feita uma vaquinha, com cada um dando entre cinco e dez mil réis. Para economizar ainda mais, alguns, como Bráulio, Soldado, Zóião, Domi e Mica, trataram de pegar lençóis e toalhas emprestados das raparigas do Julião. Para calçar, também optaram pela solução mais barata: tamancas "malandrinhas".

As outras tarefas foram divididas sob a coordenação do presidente recém-aclamado do bloco, Vavá Madeira, e do vice-presidente e tesoureiro, Antônio Coruja, que anotava todas as contribuições e decisões em um caderno. Nelson Lobsomem, o mais novo deles, tratou de pintar o estandarte, desenhado por Elias. Carequinha arranjou um agogô, feito por João Ferreiro na Ladeira do Taboão. Zóião e Nonô improvisaram atabaques com barricas de chá-mate e pedaços de couro de jibóia. Enquanto isso, Domi correu para registrar o bloco como entidade carnavalesca.

Muitos deles, entretanto, ficaram com receio de sair no bloco. Estivador já tinha fama de comunista por causa dos movimentos por melhores pagamentos e a polícia podia achar provocação aquela homenagem a um líder revolucionário indiano recém-assassinado. Como precaução, Aloísio Gaiolão procurou o presidente do Sindicato dos Estivadores, Deoclécio dos Santos. Apesar de concordar que aquele nome de bloco não era muito prudente, o sindicalista ajudou como pôde. Ou seja: colocou o advogado da entidade, Edgar Mata, de sobreaviso para o caso de ter que tirar alguns estivadores foliões da cadeia durante o Carnaval.

As argumentações pró e contra ao bloco prosseguiram nos dias seguintes. Alguns, como Vavá Madeira, não viam motivos para tanta preocupação. Afinal, Gandhy era um pacifista. Outros, como Soldado, estavam dispostos a sair na porrada se a polícia se metesse a besta. Para evitar maiores problemas, ficou terminantemente proibido, sob pena de expulsão, bebida e mulher no bloco. O argumento era muito claro: a proposta era paz e onde há mulher e bebida há confusão. Para garantir esta determinação, foi decidido que haveria um cordão em volta do bloco e foi destacado um grupo para fazer este isolamento, além de ficar de olho na polícia.

Os últimos instrumentos só ficaram prontos na véspera do desfile. Tudo arranjado em quatro dias. Finalmente, no domingo de Carnaval, os foliões se reuniram sob a mangueira e saíram, em fila indiana, acompanhados de longe pelas mulheres do Julião. Eram apenas cerca de 30 componentes. Na frente, na corda, foi destacada uma comissão de peso: Domingos Cara Feia e Cândido Elefante, com seus quase 200 quilos. Também ficaram na corda Panguara, Máximo Quadrado e Aloísio Gaiolão, que era responsável ainda por traçar o itinerário. Do Julião, o bloco seguiu para a Igreja de Santa Luzia, pedindo proteção e bênção à padroeira. Depois, tomou o rumo da Ladeira do Caminho, onde havia um caminhão com pessoas distribuindo vassouras. Era campanha de Jânio Quadros, que prometia varrer os problemas do país. As vassouras, então, foram incorporadas à fantasia. De lá, o grupo subiu para o Pelourinho, sendo muito aplaudido ao passar pelo clube Barão do Desterro. Na passagem, Dino Pinto Preto comprou, por 20 mil réis, o atabaque de um menino. Seguiram cantando principalmente "Entra em beco, sai em beco" e "Ô-fila-la-ê-ô", passando pela Praça da Sé, Praça Municipal, Rua Carlos Gomes, Campo Grande, Avenida Sete, Baixa dos Sapateiros, Fonte Nova, Tororó e Fazenda Garcia, dando uma parada no Beco do Cirilo para comer uma bacalhoada feita pelo companheiro de estiva Marcelino. Na passagem pelos clubes Fantoches da Euterpe, Cruz Vermelha e Inocentes em Progresso, o Filhos de Gandhy foi calorosamente aplaudido, ofuscando o brilho das grandes entidades carnavalescas da época, como o Deixa a Vida Quelé, o Nega Maluca, o Vai Levando, o Filhos do Mar, o Filhos do Fogo e o Filhos do Porto, formado por portuários.

O domingo foi um sucesso, sem qualquer confusão com polícia ou outros foliões. Diante disto, o bloco ganhou força e saiu com cerca de 70 componentes na terça-feira. Além da adesão dos estivadores, o grupo ganhou integrantes de outras categorias profissionais, como tipográficos, alfaiates, pedreiros e comerciários. Desta vez, a caminhada se estendeu ao Uruguai, Largo do Tanque e Liberdade. Nos anos seguintes, seriam incluídos no roteiro a Igreja do Bonfim e o Terreiro do Gantois, com a escolha de Mãe Menininha como madrinha. Também seriam introduzidos os trabalhos do candomblé para garantir paz nos caminhos. O Gandhy ainda incluiria no trajeto a casa da professora Iazinha, no Retiro, em agradecimento a ela ter bordado o estandarte do bloco.

Após várias mudanças de sede, que incluíram a escola de dança Iaiá, no Pelourinho, espaço também utilizado para as aulas de capoeira angola do Mestre Pastinha, o grupo entrou em decadência, deixou de pagar compromissos e acabou ficando na rua, com troféus, alegorias e documentos perdidos para sempre. Parecia ser o fim do Filhos de Gandhy, que não desfilou durante três anos, de 1971 a 1973. Foi quando uma campanha da imprensa, liderada pelo radialista Gerson Macedo, começou a pedir a volta do bloco. Antigos componentes foram procurados e o bloco ganhou um presidente de prestígio: Camafeu de Oxóssi. A partir daí o Gandhy não parou de crescer. Aquele primeiro Carnaval, entretanto, ficariam sempre guardado com alegria na memória daqueles homens da estiva. Só não teriam saudades dos tamancos, que torturaram os pés de todos. Depois daquele primeiro ano, aliás, "malandrinha" nunca mais!

Diogo Tavares

http://diogotav.sites.uol.com.br/Odia_em_que_gandhi.htm

 

 



Escrito por Diogo às 05h49
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DESCULPEM PELA LONGA AUSÊNCIA. PARA COMPENSAR, AÍ VAI O CARTÃO QUE FIZ PARA UMA VOVÓ CORUJA

 Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 20h38
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De volta à terrinha, deparando com Leo Kreti,

outros cretis e relembrando o Boca do Inferno

 

Mais do que um longo título, estas palavras aí em cima formam uma sentença, tão evidente e estapafúrdia quanto o veredicto das urnas.

Sexo e dissimulação sempre fizeram parte dos bons roteiros da política. Dos péssimos também, assim como dos filmes trash. Quem não lembra do antológico relato do ministro Bernardão Cabral passando bilhetinhos travessos para a ministra Zélia Cardoso em plena reunião ministerial.

Eis que ainda envolvido pelos vapores de uma campanha eleitoral surreal, após passagens por Sampa e Rio, chego na Bahia e nem mesmo o mar verde-azul sem igual da praia de Stella Maris me faz esquecer que somos, sim, animais políticos. E bota animais nisso! Fico sabendo que, em Sampa, Marta colocou a masculinidade do adversário sob suspeita. No Rio, as sungas de Gabeira – a atual e a de crochê de 1979 – viraram mote para antipropaganda política. E vejo o PT, o partido de aluguel de ocasião, que no passando encampou as lutas a favor das minorias, hoje patrocinando estas e outras asneiras.

Mas o recado há de vir das urnas, como em Salvador da Bahia. Os mesmos eleitores que rejeitaram Neto (que abriu mão desesperadamente do ACM), elegeram com a quarta maior votação entre os candidatos a vereador a traveco dançarina Leo Kreti, do mesmo DEM. Mas, como o recado das urnas não é tão explícito como pensam alguns, Leo Kreti não foi eleita com os votos em massa dos gays, não levantou qualquer bandeira em defesa dos transsexuais ou de qualquer outra minoria, não apresentou qualquer outra idéia original a não ser utilizar o banheiro feminino na Câmara de Vereadores.

Acontece que o eleitor, cansado dos políticos profissionais dissimulados, que como Marta defendem as minorias e acusam preconceitualmente de boiola quem se põe no caminho, cansado dos políticos de fachada moralista com vida dupla, dos que arrotam honestidade nos palanques e se lambuzam em mensalões, resolveu protestar com o voto. E, mais do que protestar, já que nenhum político é o que parece ou diz ser, elegeu algo mais verdadeiro: um homem que assumidamente se passa por mulher. Leo Kreti, que adotou o kreti como forma abreviada de cretina, será a lembrança do escárnio da política para todos os cretis que infestam a política brasileira.

 

 

Para finalizar, um consolo é que nada disso é novo, como comprovam as palavras de Gregório de Mattos, o Boca do Inferno:

"A Bahia tem cinco letras, que são B-A-H-I-A: logo, ninguém me dirá que dois ff chega a ter, pois nenhum contém sequer, salvo se em boa verdade são os ff da cidade um furtar outro foder".

 Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 14h15
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CENAS DE CAMPANHA

BY BETHO DE OLIVEIRA E CIA

Dr. Uebe Rezeck e cia

 

Ajuste no roteiro

 

Idem

 

Marcelo dá as coordenadas

 

Última gravação na casa do candidato

 

Parece foto de comercial

 

Última gravação (não me perguntem o que essa garrafa quer dizer)

 

Exército de Brancaleone

 

Betão, Elis Regina, Patty e eu

 

Canseira na madruga

 

 Olha o tesoureiro aí, galera!

 

Diogo Tavares

 



Escrito por Diogo às 00h25
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Primeira formação do Exército de Brancaleone

O SENTIDO DA VITÓRA

Estamos chegando ao final de um trabalho longo, cansativo, que em muitos momentos beirou a insanidade, mas que de forma quase contraditória vai deixar saudades em todos. Durante quase dois meses, fizemos uma contagem regressiva diária no quadro de avisos e convivemos mais com nossos colegas de trabalho do que com nossos familiares, nosso par, nossos amigos de copo e futebol. Viramos família, big-brothers de um confinamento com poucas testemunhas, vencemos dificuldades que pareciam invencíveis, enfrentamos inimigos comuns e ‘fogo amigo’, tiramos o máximo de equipamentos sucateados, trocamos problemas por soluções criativas, transformamos noites em dias e dias em noites, ficamos doentes e nos curamos. E rimos, rimos muito e de tudo, até daquilo que para quem olhasse de fora não teria graça nenhuma. Foi assim que aprendemos a confiar na gente, em ninguém mais, para não deixar nunca trabalho pela metade. Viramos um Exército de Brancaleone, um grupo de loucos, alucinados, invejáveis, invencíveis.

Então aguardamos tranquilamente o resultado das urnas. Mais velhos uns 60 dias, mais experientes uma vida, com novos velhos amigos, daqueles amigos que quando precisam a gente entra na briga até sem ter razão. Mas não estamos prontos para guerra e sim cada vez mais com o espírito em paz, a paz dos vencedores, pois nossa vitória já não depende de votos, de remuneração, de placar ou do reconhecimento dos outros. Não é a vitória dos sobreviventes, dos conquistadores, dos jogadores, nem mesmo a vitória redentora dos oprimidos. É a simples mas inquestionável vitória do trabalho realizado e das coisas, acontecimentos e pessoas que quase inexplicavelmente semeiam saudade.

A turma não dorme de touca

 

Na Festa do Peão, entre as meninas do grupo

 

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 09h22
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PRIMEIRA CRÔNICA BARRETENSE

Dei carona pra uma barretense. Linda, 22 anos, aquele sotaquinho de inteirioir paulista. Rádio do carro ligado e o assunto foi pra música. Nada em comum, é claro. Eu falava de Rita Lee, Milton Nascimento, Tom Jobim. E ela: Daniel, Leonardo, Edson e Hudson. E o rádio do carro totalmente do lado dela. Fazer o que? Até que numa hora ela reacendeu minha esperança. “Gosto de João Bosco e Vinícios”, ela disse. E eu, baianamente: “Que massa! Tenho todos os discos de João Bosco e uns quatro de Vinícius no computador. Vou passar para CD pra gente ouvir amanhã”.

Gravei dois CDs no dia seguinte. Nova carona e eu coloquei o primeiro CD. “Esse é acústico. Só voz e violão. Gravado ao vivo em mil novecentos e lá vai pedrada... Grande violão de João Bosco, né?” Ela com cara de quem tava comendo jiló. Confessou que não estava gostando do CD. Apelei para Vinícius. Samba da bênção. E ela, aind sem gostar: “Quando eles tiveram aqui, no mês passado, não tocaram nada disso”.

Eu, na mais completa ignorância, perguntei espantado: “Vinícius teve aqui na semana passada? Só se ele ressuscitou...”

Ela: “Como assim? João Bosco e Vinícius vão até tocar aqui na Festa do Peão”.

Moral da história: Ê tiozão ignorante! Olha João Bosco e Vinícius aí embaixo.

 

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 21h42
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GALERA, DESCULPE POR TER FICADO QUASE UM MÊS SEM DAR NOTÍCIAS. ESTOU EM SAMPA, TRABALHANDO COMO SE PAULISTA EU FOSSE, MAS É SÓ ATÉ OUTUBRO. TAMBÉM ESTOU CHEIO DE HISTÓRIAS NOVAS PRA CONTAR, MAS POR ENQUANTO FALTA TEMPO. BEIJOS E ATÉ MAIS.

Escrito por Diogo às 02h00
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DOIS DE JULHO

Seis anos presa, eventualmente acorrentada a árvores, enfrentando a umidade diária da floresta tropical, dormindo ao relento, tendo o corpo picado por insetos, raros banhos e ainda assim frios, nada de luz, nada de cama, mais de duas vezes vítima de malária, ameaçada diariamente de morte, sempre na mira de narcoguerrilheiros, sem notícias da família, em estado de quase morte em vida... E, no entanto, quanta dignidade desta mulher Ingrid Betancourt, que, no dia de sua libertação, promete que lutará agora pela liberdade de todos os que ainda estão em cativeiro. Coincidentemente, no dia em que a Bahia comemora sua independência e relembra Maria Quitéria e Joana Angélica, surge este exemplo vivo da força e da capacidade de superação da mulher.  

 

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 21h54
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Este não é um país de Dungas

A Seleção Brasileira de Futebol conseguiu ontem um bom empate diante da Argentina, jogando em Minas, num estádio lotado, com direito a show de Jota Quest e Skank e Hino Nacional com Gal Costa. Se há algo estranho neste evento, não é apenas o caráter festivo ao melhor estilo Tio San. É estranho também e de forma pertinente considerar um empate com a Argentina em casa bom resultado. Mas para um time que personificou tudo aquilo que não queremos, aquilo que não nos faz ter orgulho de ser brasileiros, a força burra, a riqueza arrogante, a pobreza de espírito, foi um bom resultado.

Dunga se destacou na Seleção Brasileira, como jogador, pelo futebol objetivo, sério, de eficiência sem brilho, de resultado sem beleza. Com ele, ganhamos a Copa em que jogamos o futebol mais feio. Mas não nos enganemos: a história registra fatos e é escrita pelos vencedores. Então vencer é fundamental. Acontece que quando colocamos a objetividade acima da própria alma nos tornamos falsos e perdemos a capacidade de vencer. Foi esta Seleção que vimos jogar nas últimas três partidas. Um time sem talento e criatividade, preso a um roteiro insosso. Nem mesmo a mais prática das seleções européias é capaz de algo tão enfadonho e a Eurocopa tem comprovado isto.

Nossos noticiários repetitivos, banhados a sangue, já não nos chocam. E choca menos ainda por uma repetição de fórmulas em que muda-se apenas nomes e imagens. Chega-se ao extremo de reproduzir os mesmos chavões como se fossem grandes invenções. Na imprensa burocrática, nas empresas engessadas por fórmulas de eficiência, na política pragmática, não há nada novo que nos surpreenda e fascine. Os políticos roubam e ficam impunes, sem novidade. Pretos pobres morrem. O Haiti é aqui, e daí? A verdade é que estamos nos tornando um país de Dungas, onde importam os fins e não os meios, mesmo que nossa alma esteja sendo corrompida.

Então, vendo o time brasileiro jogar, sob coro de “Burro” e “Adeus Dunga”, me veio um sopro de esperança. Não somos coletivamente acomodados. Queremos festa, mas queremos motivo para festa. Não estamos todos impassíveis diante daquilo que nos oferecem como a única alternativa, mesmo que seja através de TV digital e em alta definição.

Não, não somos um país de Dungas ou de anões do Orçamento. Na platéia, apagado e como parte do show capitaneado por Ricardo Teixeira, Pelé deixa de representar exatamente aquilo que foi. Com seus pés negros de interiorano, com pés de milhões de Garrinchas nas várzeas e becos de favelas, construímos um país vencedor, não apenas por ganhar copas, mas por inventar sua própria forma de jogar o esporte britânico. Mostramos ao mundo a ginga e a alegria, o drible e a infinita capacidade de improvisar. Nos tornamos referência e unanimidade na África miserável, no Oriente Médio muçulmano, na China comunista, na envelhecida Europa e na sectária América. Fomos admirados e, apesar das tentativas, nunca copiados. Aceitar perder isso com indiferença, isto sim, é terrível. Numa análise mais ampla, se não soubermos valorizar nosso diferencial competitivo continuaremos a ser eternamente um país do futuro. E, do jeito que vai, nem mesmo o futebol dos dará alento.

Eles gostaram

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 10h00
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VIAGEM INAUGURAL

Pouco antes de deixarmos a garagem do apartamento de Pedro, em Recife, o filho dele, Lucas, 10 anos, fez questão de fotografar o carro. Era mais uma das muitas fotos de recordação que nos foram mostradas nas horas em que resolvemos as questões legais e mecânicas relacionadas à compra. Achei o Toyota Bandeirante, motor Mercedez diesel, ano 1988, após uma longa procura, conferindo pela internet os classificados do Jornal do Comércio de Pernambuco. Há meses eu buscava carro igual na Bahia e, aconselhado pelo mecânico Piu-Piu, que tem uma oficina especializada em jeeps e veículos off road na Boca do Rio, Salvador, tinha estendido minha busca a outros estados. Já encontrara opções em São Paulo, Paraná e Brasília, mas aquela proposta me pareceu a mais concreta.

Com o jeep vieram algumas histórias interessantes. Uma delas, Pedro contou quando perguntei sobre os antigos proprietários. Há oito anos, após algumas dificuldades em viajar a praias e fazer passeios com um carro urbano, ele resolveu procurar um jeep Toyota na cidade pernambucana de João Alfredo. É uma cidade em que, pelas condições extremas de relevo, solo e clima, o modelo de carro passou a predominar na frota. Logo que chegou na cidade, ficou sabendo que Pedro Que Corta Cabelo estava vendendo um. Então foi até a “barbearia” do profissional, cuja função estava incorporada ao nome. Encontrou Pedro Que Corta Cabelo aparando a carapinha de um cliente. Ao ver o candidato a comprador, o barbeiro fez questão de ir mostrar logo o carro. Deixou o cliente na cadeira. Pedro, o comprador, estranhou, mas foi ver o carro. Conferiu o motor, a lataria, a procedência e os documentos. Aceitou a oferta de dirigir um pouco pela cidade e resolveu fechar o negócio, o que foi feito em uma agência bancária no município. Não levou menos do que quatro horas. Antes de partir para Recife, deixou Pedro Que Corta Cabelo no local de trabalho. Na cadeira, paciente, o freguês esperava.

Acertamos a transferência, trocamos óleos e filtros, substituí dois pneus e, nesse tempo, ouvi outras histórias do jeep, neste momento mais um personagem do que uma máquina. Antes de fechar negócio, Pedro me contou que só estava vendendo o carro porque iria mudar com a família para o Canadá, para onde não foi possível levá-lo. Motivo de várias reuniões familiares, a venda do companheiro de tantas viagens só foi aceita com a condição que ele não fosse desmanchado para a adaptação como lotações, indústria próspera em João Alfredo e que consiste num processo semelhante de alongamento ao utilizado para fazer limousines. A última condição, Pedro me fez: se eu fosse vender o jeep, que antes fizesse a oferta a ele.

Então partimos de noite no jipão e a viagem foi realizada toda pela orla, incluindo estradas de terra e alguma lama pra completar o test drive. Porto de Galinhas, Tamandaré, lindas praias em Pernambuco e Alagoas, encontro com meu irmão mais velho, Elcio, em Maceió, travessia da foz do Rio São Francisco em uma pequena balsa, uma longa estrada de terra e a chegada na Barra dos Coqueiros e na bela e nova ponte da capital sergipana, encontro com mais um irmão e uma irmã e o caminho já conhecido para Salvador pelas balsas e pela Linha Verde.

A primeira viagem do jeep foi ótima. Não deu o menor trabalho, veio bem tanto no asfalto quanto fora dele. Lucas me pediu fotos por e-mail para ele saber como está o “irmão mais velho”. Mandei. O carro está na oficina, fazendo chaparia, depois vai passar por um check up com Piu-Piu. É muita responsabilidade adotar um personagem com tantas histórias, mas vou me esforçar para não deixar de criar novas. Pode ficar ligado, Lucas.

 

PS Tive que voltar a Aracaju na semana seguinte. Desta vez foi para a posse do meu irmão, Edson, como diretor-geral da Embrapa em Sergipe, mas isso é uma história para a próxima postagem, com direito a trechos de discurso e foto com o blazer que não saía do armário há mais de um ano.

Diogo Tavares



Escrito por Diogo às 21h04
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EXTRA, EXTRA!

Silvinho quase cantou com Popó

 

 

 

Quando Luiza apareceu no palco, de macacão jeans, menininha moleca, para cantar estilo rap uma música com o pai, Silvio, a emoção tomou conta de vez do Teatro do Sesi. Apesar do escuro na platéia, só na minha fileira de cadeiras notei duas tias choronas. Por minha vez, fui lançado num fashback uns nove anos atrás, na cidade de Cachoeira, recôncavo baiano, quando tivemos a confirmação da chegada dela.

Estávamos hospedados no Pouso da Palavra, do poeta Damário Dacruz, e o “Boi do Poeta” bêbado cambaleava pelas ruas, para, enfim, cair sentado e acabar a apresentação. Nesse clima, a diretoria do Terraço de Telma, não muito mais sóbria do que o boi, foi convocada para uma questão de ordem: definir o nome da menina. Silvio já tinha uma sugestão, que defendeu alegando ser o nome da deusa mitológica da música. Muito bem, e qual seria este nome? Ao questionamento geral, respondeu: Apolínea. É claro que provocou protestos acirrados e quase unânimes. “Como é que pode? Vamos acabar tendo que chamar a menina de Popó”, protestou Telma, com autoridade materna.

De volta ao show, sorri no canto da boca imaginando Silvio apresentar a convidada: “Com vocês, Apolínea Hernandez”. Luiza dançava, leve e descontraída, nada de Apolínea no jeito. Definitivamente, a diretoria era sábia em suas deliberações. Ponto para o parlamentarismo.

Em Cachoeira, o conselho prosseguiu reunido no entardecer, na mesinha da calçada de um bar. A mãe lembrou do filme “Telma & Louise” para fazer a sugestão seguinte. Nádya questionou que era melhor um nome mais brasileiro e eu lembrei do Brasileiro de Almeida Jobim, também chamado Tom, maior na música do que a deusa na mitologia. Então foi cantarolando “Luiza” que o consenso reinou e a decisão foi sacramentada como deve ser na Bahia, com um brinde de cerveja e foguetes, em Cachoeira, cidade-corpo que, como definiu o sábio presidente da Lira Ceciliana Raimundo Cerqueira, tem o candomblé na cabeça, a feira na barriga e a estrada para o mundo nos pés.

 


Durante o show, lembrei também de outra história, já narrada em crônica (http://diogotav.sites.uol.com.br/acentralcarnaval.htm). Luiza tinha três anos:

 

- Agora, tio Diogo, é a sua vez de atender o telefone.

- Mas aqui não é a minha casa, Luiza, como é que eu vou atender o telefone?

- Ora, tio, tira do gancho e diz alô.


Diogo Tavares




Escrito por Diogo às 08h33
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