PAUTA QUE PARIU
 

Faxina Virtual

No final do ano passado fui avisado pelo provedor de que meu site pessoal e outro que criei para abrigar o diário de guerra do meu pai seriam tirados do ar em função da suspensão do serviço. Eu já andava sem tempo para atualizações e nem me preocupei em copiar os arquivos. Tenho tudo em back up. Finalmente esta semana refiz um site pessoal e adotei uma característica mais leve. O outro, por exemplo, abrigava meu acervo de crônicas e livros.

Foi a deixa pra iniciar uma faxina virtual que quase resultou na exclusão deste blog aqui, que há muito também vinha sem utilização. E-mails deixados pra lá, redes sociais caducas, fotoblogs sem uso... Encontrei uma infinidade de lixo virtual para varrer que eu nem imaginava existir, acumulado em anos de navegação.

Não foi fácil. Tive que apelar pra todo tipo de associação de idéias, tentar opções de senhas e mais senhas, buscar no fundo da memória onde é que eu estava com a cabeça quando criei aqueles espaços e aderi aos serviços. E fui apagando. Limpando os bites deixados ao acaso por anos e anos. Fotos, informações, páginas com meu nome. Passei nessa tarefa todo o domingo. Certamente não lembrei de tudo, mas apaguei muita coisa.

Vamos imaginar que todo mundo tenha um pouco de lixo virtual. Imagina a quantidade de resíduos sem utilidade deixados em bancos de memória mundo afora. Pedaços das vidas das pessoas condenados a vagar eternamente no limbo dos megabites. Provavelmente o estrago é menor do que as pets jogadas no mar. Mas é com o espírito netsustentável que eu apreseento meu novo site. Para o qual me ví obrigado a criar uma frase que descrevesse o conteúdo sem cair no lugar comum: "Imagens, palavras, pessoas, viagens, aqui estão as matérias primas do meu ofício".

http://diogotav.wix.com/escriba



Escrito por Diogo às 21h53
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NOVOS CIDADÃOS

Compareci na Assembléia Legislativa de Sergipe no último dia 22 pra prestigiar a entrega do título de Cidadão Sergipano ao meu mano Edson, que nasceu na mineira Juiz de Fora, e minha cunhada Lúcia, carioca. Como a Prefeitura de Salvador não tem me deixado muito tempo, tomei aqui emprestado matéria do site da Embrapa.

Chefe-geral da Embrapa Tabuleiros Costeiros
recebe título de cidadania sergipana

O chefe-geral da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju – SE), Edson Diogo Tavares, recebeu na tarde de ontem, 22 de novembro, o título de cidadão sergipano, concedido pela Assembleia Legislativa, atendendo à indicação da deputada estadual Ana Lúcia (PT). A esposa de Edson Diogo, a médica sanitarista Lucia Maria Sayde de Azevedo Tavares, também recebeu o título. Além de amigos, familiares e colegas, a solenidade, que ocorreu no plenário da Assembleia, contou com a presença do assessor da diretoria executiva da Embrapa Ederlon Ribeiro de Oliveira.

O engenheiro agrônomo Edson Diogo assumiu em 2008, após aprovação em processo de seleção pública, a chefia geral da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Já a médica Lúcia Maria, desde final de 2008, faz parte do quadro de auditores no Setor de Auditoria do Núcleo do Ministério da Saúde em Sergipe (DENASUS/MS - Departamento Nacional de Auditoria do SUS do Ministério da Saúde).

A deputada Ana Lúcia justificou a homenagem ao casal como sendo uma forma do Poder Legislativo reconhecer todo o trabalho realizado pelos dois em prol do desenvolvimento do Estado de Sergipe e de sua gente. “Ao afirmar que os títulos de cidadãos sergipanos que ora recebem expressa o reconhecimento oficial por tudo que vocês são, representam e contribuíram de forma profícua para o desenvolvimento de Sergipe, eu peço licença ao grande poeta alemão Bertold Brecht para carinhosamente fazer a seguinte declamação: ‘Há aqueles que lutam um dia; e por isso são bons; há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis’. Em suma, vocês são imprescindíveis para nós”. A entrega do título foi feita pela presidente da Assembleia, a deputada Angélica Guimarães.

Ao agradecer a condecoração, Lúcia Maria saudou a todos os familiares e amigos presentes e não escondeu a gratidão pela iniciativa da deputada Ana Lúcia. “Agradeço a deputada por esta oportunidade. Apesar de pouco tempo na Secretaria de Estado da Inclusão Social, foi gratificante o trabalho e o convívio com pessoas tão comprometidas em contribuir para a melhoria das condições de vida da nossa população”.

Edson Diogo saudou a deputada Ana Lúcia pela proposta. “Agradeço a Ana Lúcia não só pela concessão do honroso título, mas principalmente pela percepção de que concedê-lo a apenas um de nós não representaria, como hoje está representando o reconhecimento da nossa cumplicidade em tudo o que fazemos, cumplicidade baseada na identidade de princípios, no companheirismo e no amor”.

O chefe-geral da Embrapa concluiu dizendo que “esse título é uma honra que representa um incentivo para continuarmos contribuindo com o nosso trabalho para que o desenvolvimento do Estado de Sergipe seja realizado eliminando as desigualdades e injustiças sociais, e que assim possamos, efetivamente, trilhar o caminho de um desenvolvimento sustentável em benefício de toda a sociedade sergipana”.

Edson Diogo Tavares é natural da cidade de Juiz de Fora, MG, e cresceu no Rio de Janeiro, onde se formou em engenharia agronômica pela Universidade Federal Rural em 1981. No início da década de 1980, o pesquisador veio para Sergipe e começou a trabalhar na Estação Experimental de Boquim, da Coordenadoria de Pesquisa da Superintendência de Desenvolvimento da Agricultura e da Produção – Sudap, ligada à Secretaria de Estado da Agricultura.

De 2000 a 2004, o homenageado cursou o doutorado em Desenvolvimento Sustentável na Universidade de Brasília. Em sua tese trabalhou com indicadores de sustentabilidade, tendo como foco a situação dos citricultores familiares do Estado de Sergipe. Como pesquisador, publicou vários artigos científicos e apresentou trabalhos em congressos nacionais e internacionais.

Entre 2004 e 2007 exerceu a chefia-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa em Sergipe, e desde abril de 2008, Edson Diogo assumiu a Chefia-Geral da Embrapa Tabuleiros Costeiros.


Gislene Alencar
com informações da Agência Alese
Foto: Janaina Santos/Agência Alese

 LEIA MAIS:

http://www.faxaju.com.br/viz_conteudo.asp?id=105259

http://camaradearacaju.blogspot.com/2010/11/dr-gonzaga-prestigia-entrega-de-titulo.html



Escrito por Diogo às 22h59
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Caros colegas,

companheiros de trabalho e de vida,

queridos amigos,

 

Alguns de vocês acompanharam em maior ou menor grau meus 25 anos em redações de jornais, TVs, rádios, quase sempre em Salvador. Com outros convivi mais através da atividade de assessor de comunicação e, nos últimos anos, tive o privilégio de trabalhar com grandes profissionais brasileiros em marketing político. Lembrei um pouco de cada um desses trabalhos e dessa convivência depois de receber o convite do prefeito João Henrique para a Secretaria de Comunicação de Salvador.

 

Está nesse parágrafo acima parte da minha motivação para aceitar esse novo desafio. Foi em Salvador que o jovem recém-formado virou jornalista. Foi essa a cidade que adotei e que me adotou, onde criei raízes. Aqui vivi a maior parte dos meus 47 anos. Escrevi e publiquei quase todos os meus livros nessas cercanias, e aprendi a força e a responsabilidade das palavras que, como diria o educador, são grávidas.

 

Quem me conhece sabe que o cargo me atrai menos do que o desafio. Que entendo política e gestão como meio e não fim. Que considero honestidade, profissionalismo e ética questões fundamentais, não qualidades raras a se destacar. Sei que esta é a mesma visão do prefeito João Henrique. E uma prova disso está no critério mais técnico do que político adotado por ele na minha nomeação.

 

Enfim, estou começando este novo trabalho com consciência das dificuldades. Temos as demandas da terceira cidade mais habitada do país, líder na proporção de moradores por metro quadrado, mas uma das mais pobres em orçamento. Temos problemas estruturais e diários, temos questões imediatas e grandes desafios pela frente. E a comunicação, que é a nossa função, é acima de tudo um direito do cidadão soteropolitano. É obrigação nossa, assessores e jornalistas, informar a população sobre o que é feito na cidade, os projetos, os problemas, as soluções.

 

Por isso, com a experiência que trago das redações, tenho certeza de que seremos acima de tudo parceiros. E me coloco a disposição de vocês sempre. Um abraço.

 

Diogo Tavares 



Escrito por Diogo às 11h48
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Um jornal sem papel

e uma redação no céu

A festa hoje é do Corinthians, no Vale do Anhangabaú, marcando o centenário do clube, que será amanhã. Comemoração com direito até à presença de Lula. Festa da maior torcida de São Paulo. Mas uma notícia triste, que vem do Rio, atinge todo o país. E não é que o mais que centenário Flamengo esteja ruim, para desespero da única torcida que supera a corintiana em número, pois isso não surpreende. É que, silenciosamente, encerra-se uma página brilhante do jornalismo e da história do nosso país. Fundado em 1891, o Jornal do Brasil chegou hoje às bancas pela última vez. A partir de amanhã só existirá a versão na internet.

O velho JB, cujo Caderno B transformou o jornalismo cultural do país, não circula mais como antes. Lembro de Zuenir Ventura com sua simplicidade matinal na redação do Rio e do amigo Vítor Hugo Soares, que comandou durante muitos anos a sucursal de Salvador. Muito me orgulhava de conhecê-los e de ter escrito para o jornal. Muito me entristece esta despedida.

 Aos poucos meu curriculum vai ficando repleto de fantasmas. A eles, se junta agora o mais notório de todos. Estão lá também a Veja Bahia e o Jornal da Bahia. Poderiam estar ainda o Bahia Hoje, mas desta fria eu me esquivei. Sobrevivência mais difícil do que a do jornal, só mesmo a dos jornalistas. Cadê meus colegas e amigos Bonfim Caetano, Rêmulo Pastare, Irecê, Sebastião Valença, Linalva Souza?

O fim da edição impressa do JB não chega a ser uma tragédia. Até porque os jornais acabam, mas as notícias continuam. Mas não consigo evitar a tristeza. Pois com o fim da impressão do JB morre um pouco da minha história de vida, um pouco da história de vida de tanta gente que conheço. Talvez lá, no céu dos grandes jornais, haja uma redação pronta pra abrigar gente do bem. Talvez estejam lá, junto com Ruy Barbosa e Carlos Castelo Branco, meus amigos que partiram tão cedo.  A imagem é absurda, mas cada dia eu me convenço mais de que o absurdo é parte inseparável da vida.

Diogo Tavares 



Escrito por Diogo às 19h28
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X

Entre as bocas há umidade e unidade...

O universo, o infindo verso, o ensejo

Não é saliva, hálito ou metade,

É magia, onde cabe o infinito espaço de um beijo

 

Entre as bocas há harmonia e entendimento

O diálogo pleno, entretanto,

Não é feito de palavras ao vento,

Mas de espanto e encanto

 

Para entender o beijo é preciso beijo,

Pois não há arrojo ou lampejo

Que simule o mistério perfeito

 

Para traduzir o beijo há que esquecer o verbo

E ser o viço doce na fruteira

Mesmo pecando em desacato verso

X

http://diogotav.sites.uol.com.br/RotasetDesvios.htm 



Escrito por Diogo às 19h51
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DICA CULTURAL

Quinta-feira, 12 de agosto, a partir das 17h30, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o professor Luis Henrique Dias Tavares estará autografando seu novo livro – Bahia, 1798 –, paradidático ilustrado pelo artista gráfico Cau Gomes, da equipe de chargista de A Tarde. Autor do clássico História da Bahia (em 2009 a Edufba e a Edunesp publicaram a 11ª edição revista e ampliada), o professor Luis Henrique, no novo livro, volta ao tema da sedição intentada na Bahia em 1798, sobre o qual pesquisa há mais de 50 anos.

Diogo Tavares 



Escrito por Diogo às 12h48
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CÂNDIDA

Eu já tava saindo em cima da hora, mas quando a diarista Severina falou que não tinha material de limpeza nem pra lavar louça ou roupa, tive que me atrasar e dar um pulo no supermercado. Pedi uma lista e fui conferir. “Mas o que é Cândida?”, perguntei.

Eu conhecia duas Cândidas. Uma foi a Candinha, namoradinha de infância. Outra foi a micose que eu tive na unha do dedo, Candida Albicans.

Como boa nordestina, ela me explicou que Cândida era água sanitária, ou ki-Boa, como preferem os baianos.

Ah, bom. Vivendo e aprendendo.

Diogo Tavares 



Escrito por Diogo às 22h27
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MARCELO SIMÕES

LANÇA LIVRO EM SP*

Marcelo Simões

Diariamente, os relatos de prisões injustas, de torturas e abusos enchem as páginas de jornais, desafiando a nossa quase indiferença. "Voo para a Escuridão", do jornalista baiano Marcelo Simões -  uma história eletrizante cujo cenário principal é o presídio de Itaí, no interior de São Paulo, exclusivo para estrangeiros - está sendo lançado nesta terça feira(27.07), às 19 horas, na Fnac, em São Paulo (Avenida Paulista, 901- Térreo). 

O livro conta o drama vivido por um comissário de bordo, o colombiano Jak Harb, preso durante exatos 400 dias e lançado, sem piedade, em um mundo de pavor e sombras. Publicada pela Geração Editorial, a  história de Jak Harb poderia ter saído da cabeça de um romancista, com o risco do personagem parecer artificial, de construção óbvia e fácil, por causa da teia de estereótipos e bolsões de preconceitos que o envolvem: colombiano, comissário de bordo, homossexual, flagrado quando recebia dólares de um traficante em um hotel nas imediações do aeroporto de São Paulo e lançado, sem piedade, nos labirintos do Presídio de Guarulhos II e da Penitenciária de Itaí.

Um livro que mostra, no melhor estilo do jornalismo literário,  a insensibilidade humana e a crueza da vida com suas armadilhas, revelando um autor que persegue e denuncia a injustiça aonde ela estiver - sem medo de enfrentar a dúvida ou o preconceito.

*Texto de divulgação



Escrito por Diogo às 17h36
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DICA CULTURAL

*Como estou trabalhando em SP, estarei lá com certeza



Escrito por Diogo às 14h04
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As Ruínas

X

 

Em homenagem à Queda da Bastilha, aí vai um texto praticamente inédito, já que a única edição do livro do qual é introdução, As Ruínas, de Constantin Volney, só foi editado em português no Século XIX, em Lisboa, havendo uma única edição na Biblioteca Nacional, no Rio. Cheguei ao texto por conta das pesquisas do meu livro em gestação. Se tornou um texto muito popular na Conjuração Baiana de 1897, principalmente por analisar a dominação dos povos por meio da religião e preconizar o fim dos impérios como inevitável. Fiz a tradução desta introdução a partir de uma cópia em espanhol.

X

“Salve, ruínas solitárias, sepulcros sacrossantos, muros silenciosos! Eu as invoco! A vocês dirijo minhas preces! Sim! Ao passo que vosso aspecto rechaça com terror secreto os olhares dos homens comuns, meu coração encontra ao vos contemplar o encanto dos sentimentos profundos e dos ideais elevados! Quantas lições úteis, quantas reflexões práticas e enérgicas ofereceis ao espírito que as sabe consultar! Quando a terra inteira escravizada emudece diante dos tiranos, vocês proclamam as verdades que eles detestam; e confundindo as relíquias dos reis com as do último escravo, atestam o santo dogma da igualdade! Em vosso tétrico recinto é onde eu, amante solitário da liberdade, vejo aparecer seu gênio, não como se apresenta um insensato, armado de tochas e punhais, mas com o aspecto augusto da justiça, tendo nas mãos a balança sagrada em que pesam as ações dos mortais nas portas da eternidade.

Oh, tumbas! Quantas virtudes possuem! Vocês espantam os tiranos; vocês desposam com um terror oculto seus prazeres ímpios; eles riem de vosso aspecto incorruptível e covardes alijam de vocês o orgulho dos seus palácios! Vocês castigarão o opressor poderoso; arrebatarão o ouro ao miserável avaro e vingarão o fraco despojado de sua capacidade; vocês compensarão as privações dos pobres, legados às sobras do fastio dos ricos; vocês consolarão ao desalentado oferecendo a ele um último asilo; vocês enfim darão à alma aquele justo equilíbrio de força e sensibilidade que constitui a sabedoria e a ciência da vida.

Ao considerar que é certo devolver tudo, o homem reflexivo evita se sobrecarregar de vãs ostentações e de inúteis riquezas; contêm seu coração nos limites do equilíbrio; e como é preciso que siga seu destino, bem empenha os instantes de sua vida e usa os bens que lhe foram concedidos. Deste modo, oh tumbas respeitadas! Colocam um freio saudável sobre a veemência impetuosa dos apetites. Vocês acalmam o ardor febril dos prazeres que perturbam os sentidos, fazem descansar a alma de sua luta fatigante das paixões sobrepondo os vis interesses que atormentam a multidão; e posto sobre vocês, e abraçando a cena dos povos e dos tempos, não se dedica o espírito senão a grandes feitos e não concebe mais que idéias sólidas de glória e de virtude. E quando o sonho da vida terminar, de que terão servido suas agitações, se não deixam vestígios de alguma utilidade?

Oh ruínas! Voltarei a vos visitar para tomar suas lições, me colocarei na paz da sua solidão e, então, despojado do espetáculo penoso das paixões, amarei aos homens pelas minhas gratas memórias; me abrigarei na sua felicidade e a minha consistirá na idéia de vos haver antecipado!”

Diogo Tavares 

 



Escrito por Diogo às 09h35
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Hino Nacional*

*De Albenísio, via Facebook



Escrito por Diogo às 01h31
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DICA CULTURAL



Escrito por Diogo às 06h06
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Quem ri por último...

 

Enfim, a Copa acabou tanto para aqueles que torcem pelo Brasil quanto para os que torcem contra a Argentina. Como compensação pelo mau humor que agüentamos de Dunga tanto tempo, restaram boas tiradas na internet, principalmente nos sites de relacionamento. Logo depois do jogo do Brasil, teve um comentário fabuloso, de fábula mesmo: 1 Dunga, 11 sonecas e 190 milhões de zangados.

Por falar em números, não foram poucos os cidadãos ao redor do mundo que ficaram aliviados de não ter que ver Maradona pelado. Caso a promessa-ameaça se concretizasse, os jornais poderiam reeditar um título do jornal O Dia sobre uma foto de Dieguito nu no vestiário: “Maradona bom de bola e ruim de taco”.

O fato é que o melhor veio nas horas seguintes à goleada que a Argentina levou da Alemanha. Houve, por exemplo, quem agradecesse aos holandeses. Afinal, já pensou levar um chocolataço daquele dos germânicos? Outros exageraram no tempero, dizendo ser preferível chupar duas laranjas amargas do que levar salsichão de quatro. E houve quem lembrasse a torcida pé-frio do stone Mick Jagger, comentando que, sozinho, ele detonou Estados Unidos, Inglaterra, Brasil e Argentina. Aliás, sobrou também para o “Fenômeno”, diante da perspectiva de perder o recorde de tentos: “Só falta 1 gol e três travecos pro Klose alcançar o Ronaldo”.

Certo mesmo, agora que só podemos ver a festa dos outros, é a inveja que os argentinos sentem dos brasileiros. Bastou tomarmos dois que eles trataram de tomar de quatro. Quanto a Mick Jagger, resta saber contra quem ele vai torcer nas etapas finais. Já sobre o título deste post, vale lembrar do bom e velho Millor: quem ri por último é retardado.

Diogo Tavares 



Escrito por Diogo às 22h05
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HERÓI NO IMPROVISO

X

 

Em clima de vuvuzelas e aproveitando as homenagens do 2 de Julho, Independência da Bahia, vale lembrar a história de um corneteiro que é também uma das passagens mais anedóticas da história do Brasil. Não sei se a acusação injusta de preguiça vem daí, mas o fato é que a Bahia só se tornou independente quase dez meses depois de Dom Pedro ter bradado “independência ou morte” às margens do Riacho do Ipiranga. Não foi com festa, trio elétrico ou axé music que a data entrou para os anais, mas com equivalentes decibéis em tiros. Dizem que foi dureza. Os partidários da independência partiram com muita disposição da cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano, mas os lusitanos resistentes estavam mais fortes e melhor posicionados para defender Salvador.

É aí que, saindo do anonimato, entra nosso herói involuntário literalmente na história. Emblematicamente era músico. Curiosamente era um português aderido à causa da independência. Detalhes que explicam em parte o desfecho. Se chamava Luis Lopes e deve ter visto do alto do morro tomado pelos brasilianos, em Pirajá, quando o comandante Madeira de Melo recebeu reforços. A refrega já durava quatro longas horas, um bom tempo até para o desfile de um bloco alternativo no Carnaval, quando os comandados do major Barros Falcão se viram na iminência da derrota.

Cabe aqui uma pausa, somente para dar dramaticidade. Como veremos a seguir, ao lado do caboclo e da cabocla, a independência da Bahia deveria ter o corneteiro como símbolo.

Feita a pausa, voltemos à cena de batalha. Sem chance de vitória, o comando dos partidários da independência não viu outra alternativa ao não ser bater em retirada. Chamaram o corneteiro acima citado e mandaram o gajo dar o toque de recuar e reagrupar. Aqui cabe espaço para interpretações, pois a história, onde é detalhada, não é precisa ou coerente. Não se sabe, portanto, se o soldado soprador não entendeu bem a ordem, se improvisou por conta própria ou se simplesmente, na pressão dos acontecimentos, errou a melodia. Mas o que se ouviu pelas trincheiras de Pirajá não foi a ordem de recuar, mas de avançar cavalaria e degolar inimigo.

Por um momento a surpresa uniu combatentes dos dois lados, principalmente do lado brasileiro, já que ninguém sabia da existência desta cavalaria. A portuguesada tremeu, diante da determinação cruel dos oponentes, e a rendição foi imediata e incondicional. Enfim, com um bom toque de improviso, estava concluída a independência por aquelas bandas.

X

 

Diogo Tavares     



Escrito por Diogo às 09h18
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CONTRADIÇÕES

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x

 

Saramago, me perdoem os enlutados, mas era mesmo um grandíssimo chato. Também era genial, o que vale como um desconto para a boçalidade. O Brasil ganhou e não estou tão alegre, pois não vejo nesse resultado bondade. A entrevista rancorosa de Dunga xingando jornalistas e o orgulho pelo gol com ajuda da mão expresso no horário nobre me fazem pensar no que parece inquestionável nesse momento, ou seja, o sentido da vitória. Não há de ser vingança, não há de ser remorso, não há de ser mesquinharia, não há de ser a aniquilação do inimigo ou do possível traidor, como numa guerra, não há de ser escambo de guerra. Não é questão de escala, mas de exemplo.

Se ganhar vale mais do que o direito de vencer, está institucionalizada a lei de Gerson. “Gosto de levar vantagem em tudo. Certo?” Não questiono o jogador (Gerson), que foi brilhante, mas o garoto-propaganda usado numa infeliz peça de publicidade para cigarro. Veja só: esporte e câncer têm pelo menos isso em comum.

Prefiro ver o Brasil vencer, mas gol irregular eu desconto. Não faz parte do meu show festejar a vitória a qualquer custo e quando a injustiça triunfa, mesmo que levemente, me sinto um fracassado. Me sinto ferrado. Fodido mesmo. Me envergonha, como brasileiro, o cinismo expresso no comemorado gol espetacular, embora com ajuda da mão. “Ah, tudo bem, pois foi a nosso favor”. Sinto como se eu fosse um Dom Quixote, alienado da realidade dos homens, numa vida inútil até como exemplo ou literatura. Não sou um baluarte de virtude, é certo, mas nunca terei a ajuda do árbitro para superar as adversidades.

Mas Kaká foi injustamente expulso e isto, de certa forma, nos redime. O apito que acalenta é o mesmo apito que bate. Então respiro fundo. Talvez tudo seja como uma grande média e, entre perdas e ganhos, sobrevivemos (ou não) da caridade de quem nos detesta. E na bola fomos melhores... E bola pra frente...

Este é o resultado contraditório de um domingo solitário. Por opção não vi o jogo com amigos. Sofri sozinho. Como padre Fábio disse em entrevista a Marília Gabriela, o sofrimento faz parte do pacote de viver. Cabe a alguns aproveitarem melhor esse sofrimento.

Merda! Será que é meu sangue italiano se manifestando depois do segundo empate seguido da azurra?

Pelo sim ou pelo não, viva Umberto Eco!

Outro chato.

Cacca! 

Diogo Tavares     



Escrito por Diogo às 06h28
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