EXTRA, EXTRA!

Silvinho quase cantou com Popó

 

 

 

Quando Luiza apareceu no palco, de macacão jeans, menininha moleca, para cantar estilo rap uma música com o pai, Silvio, a emoção tomou conta de vez do Teatro do Sesi. Apesar do escuro na platéia, só na minha fileira de cadeiras notei duas tias choronas. Por minha vez, fui lançado num fashback uns nove anos atrás, na cidade de Cachoeira, recôncavo baiano, quando tivemos a confirmação da chegada dela.

Estávamos hospedados no Pouso da Palavra, do poeta Damário Dacruz, e o “Boi do Poeta” bêbado cambaleava pelas ruas, para, enfim, cair sentado e acabar a apresentação. Nesse clima, a diretoria do Terraço de Telma, não muito mais sóbria do que o boi, foi convocada para uma questão de ordem: definir o nome da menina. Silvio já tinha uma sugestão, que defendeu alegando ser o nome da deusa mitológica da música. Muito bem, e qual seria este nome? Ao questionamento geral, respondeu: Apolínea. É claro que provocou protestos acirrados e quase unânimes. “Como é que pode? Vamos acabar tendo que chamar a menina de Popó”, protestou Telma, com autoridade materna.

De volta ao show, sorri no canto da boca imaginando Silvio apresentar a convidada: “Com vocês, Apolínea Hernandez”. Luiza dançava, leve e descontraída, nada de Apolínea no jeito. Definitivamente, a diretoria era sábia em suas deliberações. Ponto para o parlamentarismo.

Em Cachoeira, o conselho prosseguiu reunido no entardecer, na mesinha da calçada de um bar. A mãe lembrou do filme “Telma & Louise” para fazer a sugestão seguinte. Nádya questionou que era melhor um nome mais brasileiro e eu lembrei do Brasileiro de Almeida Jobim, também chamado Tom, maior na música do que a deusa na mitologia. Então foi cantarolando “Luiza” que o consenso reinou e a decisão foi sacramentada como deve ser na Bahia, com um brinde de cerveja e foguetes, em Cachoeira, cidade-corpo que, como definiu o sábio presidente da Lira Ceciliana Raimundo Cerqueira, tem o candomblé na cabeça, a feira na barriga e a estrada para o mundo nos pés.

 


Durante o show, lembrei também de outra história, já narrada em crônica (http://diogotav.sites.uol.com.br/acentralcarnaval.htm). Luiza tinha três anos:

 

- Agora, tio Diogo, é a sua vez de atender o telefone.

- Mas aqui não é a minha casa, Luiza, como é que eu vou atender o telefone?

- Ora, tio, tira do gancho e diz alô.


Diogo Tavares




Escrito por Diogo às 08h33
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