PRIMEIRA CRÔNICA BARRETENSE
Dei carona pra uma barretense. Linda, 22 anos, aquele sotaquinho de inteirioir paulista. Rádio do carro ligado e o assunto foi pra música. Nada em comum, é claro. Eu falava de Rita Lee, Milton Nascimento, Tom Jobim. E ela: Daniel, Leonardo, Edson e Hudson. E o rádio do carro totalmente do lado dela. Fazer o que? Até que numa hora ela reacendeu minha esperança. “Gosto de João Bosco e Vinícios”, ela disse. E eu, baianamente: “Que massa! Tenho todos os discos de João Bosco e uns quatro de Vinícius no computador. Vou passar para CD pra gente ouvir amanhã”.
Gravei dois CDs no dia seguinte. Nova carona e eu coloquei o primeiro CD. “Esse é acústico. Só voz e violão. Gravado ao vivo em mil novecentos e lá vai pedrada... Grande violão de João Bosco, né?” Ela com cara de quem tava comendo jiló. Confessou que não estava gostando do CD. Apelei para Vinícius. Samba da bênção. E ela, aind sem gostar: “Quando eles tiveram aqui, no mês passado, não tocaram nada disso”.
Eu, na mais completa ignorância, perguntei espantado: “Vinícius teve aqui na semana passada? Só se ele ressuscitou...”
Ela: “Como assim? João Bosco e Vinícius vão até tocar aqui na Festa do Peão”.
Moral da história: Ê tiozão ignorante! Olha João Bosco e Vinícius aí embaixo.

Diogo Tavares