Estamos chegando ao final de um trabalho longo, cansativo, que em muitos momentos beirou a insanidade, mas que de forma quase contraditória vai deixar saudades em todos. Durante quase dois meses, fizemos uma contagem regressiva diária no quadro de avisos e convivemos mais com nossos colegas de trabalho do que com nossos familiares, nosso par, nossos amigos de copo e futebol. Viramos família, big-brothers de um confinamento com poucas testemunhas, vencemos dificuldades que pareciam invencíveis, enfrentamos inimigos comuns e ‘fogo amigo’, tiramos o máximo de equipamentos sucateados, trocamos problemas por soluções criativas, transformamos noites em dias e dias em noites, ficamos doentes e nos curamos. E rimos, rimos muito e de tudo, até daquilo que para quem olhasse de fora não teria graça nenhuma. Foi assim que aprendemos a confiar na gente, em ninguém mais, para não deixar nunca trabalho pela metade. Viramos um Exército de Brancaleone, um grupo de loucos, alucinados, invejáveis, invencíveis.
Então aguardamos tranquilamente o resultado das urnas. Mais velhos uns 60 dias, mais experientes uma vida, com novos velhos amigos, daqueles amigos que quando precisam a gente entra na briga até sem ter razão. Mas não estamos prontos para guerra e sim cada vez mais com o espírito em paz, a paz dos vencedores, pois nossa vitória já não depende de votos, de remuneração, de placar ou do reconhecimento dos outros. Não é a vitória dos sobreviventes, dos conquistadores, dos jogadores, nem mesmo a vitória redentora dos oprimidos. É a simples mas inquestionável vitória do trabalho realizado e das coisas, acontecimentos e pessoas que quase inexplicavelmente semeiam saudade.

A turma não dorme de touca

Na Festa do Peão, entre as meninas do grupo
Diogo Tavares