Mais do que um longo título, estas palavras aí em cima formam uma sentença, tão evidente e estapafúrdia quanto o veredicto das urnas.
Sexo e dissimulação sempre fizeram parte dos bons roteiros da política. Dos péssimos também, assim como dos filmes trash. Quem não lembra do antológico relato do ministro Bernardão Cabral passando bilhetinhos travessos para a ministra Zélia Cardoso em plena reunião ministerial.
Eis que ainda envolvido pelos vapores de uma campanha eleitoral surreal, após passagens por Sampa e Rio, chego na Bahia e nem mesmo o mar verde-azul sem igual da praia de Stella Maris me faz esquecer que somos, sim, animais políticos. E bota animais nisso! Fico sabendo que, em Sampa, Marta colocou a masculinidade do adversário sob suspeita. No Rio, as sungas de Gabeira – a atual e a de crochê de 1979 – viraram mote para antipropaganda política. E vejo o PT, o partido de aluguel de ocasião, que no passando encampou as lutas a favor das minorias, hoje patrocinando estas e outras asneiras.
Mas o recado há de vir das urnas, como em Salvador da Bahia. Os mesmos eleitores que rejeitaram Neto (que abriu mão desesperadamente do ACM), elegeram com a quarta maior votação entre os candidatos a vereador a traveco dançarina Leo Kreti, do mesmo DEM. Mas, como o recado das urnas não é tão explícito como pensam alguns, Leo Kreti não foi eleita com os votos em massa dos gays, não levantou qualquer bandeira em defesa dos transsexuais ou de qualquer outra minoria, não apresentou qualquer outra idéia original a não ser utilizar o banheiro feminino na Câmara de Vereadores.
Acontece que o eleitor, cansado dos políticos profissionais dissimulados, que como Marta defendem as minorias e acusam preconceitualmente de boiola quem se põe no caminho, cansado dos políticos de fachada moralista com vida dupla, dos que arrotam honestidade nos palanques e se lambuzam em mensalões, resolveu protestar com o voto. E, mais do que protestar, já que nenhum político é o que parece ou diz ser, elegeu algo mais verdadeiro: um homem que assumidamente se passa por mulher. Leo Kreti, que adotou o kreti como forma abreviada de cretina, será a lembrança do escárnio da política para todos os cretis que infestam a política brasileira.

Para finalizar, um consolo é que nada disso é novo, como comprovam as palavras de Gregório de Mattos, o Boca do Inferno:
"A Bahia tem cinco letras, que são B-A-H-I-A: logo, ninguém me dirá que dois ff chega a ter, pois nenhum contém sequer, salvo se em boa verdade são os ff da cidade um furtar outro foder".