Considerações sobre os paulistas

Os paulistas têm algumas preferências, mas dinheiro é unanimidade. Paulista não gosta nem de dar bom dia de graça. Você pede uma informação e ele, depois de olhar para o relógio, responde com a cara mais enfezada do mundo. Paulista preza o próprio tempo, afinal tempo é dinheiro, mas despreza o tempo dos outros. Como perdi tempo com esses caras. Paulista não gosta de bom grado nem de paulista. Imagine então de nordestrino e boliviano. Aliás, baiano pra paulista é apelido pejorativo. A depender do ângulo de visão, as mulheres paulistas olham primeiro para o sapato, o relógio ou o carro do sujeito. A depender da cotação do que viu, pode ser que depois olhem para o cara. Paulista, sem a menor sombra de dúvida, merece passar a vida em São Paulo. Enfim, antes que pensem que odeio paulista, devo admitir: gosto mais de paulista do que de argentino. Mas o sotaque dos hermanos é muito mais agradável. Diogo Tavares
Escrito por Diogo às 17h36
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Maradona é mito, Dunga é o cara  
Quando a gente escreve opinião, não tem jeito, cedo ou tarde acaba mordendo a língua. Digo isso por ter feito algumas críticas a Dunga como técnico e por ter percebido agora que talvez não tenha opção melhor para a seleção brasileira. Só para lembrar, Dunga sempre foi um jogador de talento limitado, mas aguerrido e funcional, nunca dirigiu time de clube com qualquer relevância, foi indicado por Ricardo Teixeira, que dispensa comentários, num momento de crise, provavelmente como boi de piranha, dirigiu a seleção em partidas com o mais feio futebol que já vi no escrete canarinho e tratou a imprensa como se não devesse satisfação aos torcedores. Mas é o cara. Assim como no tempo de capitão, ele resolve na posição. É como um cozinheiro que só sabe fazer macarrão, mas faz uma macarronada espetacular. É este o mérito de Dunga, que se fez mais evidente na disputa diante do mito inútil de Maradona. Contando com os melhores ingredientes do mercado, os jogadores brasileiros, não inventou, fez uma puta macarronada. Sem esquemas táticos mirabolantes, sem marketing, ele incutiu nos jogadores a noção de equipe que tanto faltou nos maiores fracassos da seleção brasileira. Só para citar o jogo deste sábado, o Brasil não venceu a Argentina por ter melhores jogadores, mas porque foi mais time. Com Dunga, como na nossa cabeça de torcedores, jogar na seleção não é uma obrigação burocrática ou uma mera vitrine, mas a realização de todo jogador. Não basta botar a camisa amarela, como Robinho vem fazendo, é preciso estar presente de corpo e alma. Usando uma imagem popular, é preciso dar o sangue. Para Dunga, isso não é pedir muito, isto é pré-requisito, independente da grandeza do astro que estiver usando chuteiras. Enfim, isso fez diferença nestas eliminatórias, garantiu a classificação antecipada da seleção brasileira... e ganhar da Argentina é sempre um prazer! Mas, para ser sincero, vejo um lado bom até para os vencidos. Ao aplicar uma derrota inquestionável, talvez o Brasil tenha feito um grande favor aos hermanos. Afinal, quanto mais cedo eles se livrarem do técnico Maradona, mantendo o ídolo no lugar do ídolo, mais rápido voltarão a ter uma equipe vencedora. Diogo Tavares
Escrito por Diogo às 17h55
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